O primeiro serial killer de Chicago

[Esta postagem é uma tradução da reportagem publicada em 24 de outubro de 2014 pelo Chicago Tribune. Consulte o texto original em inglês no site do jornal.]

O PRIMEIRO SERIAL KILLER DE CHICAGO

O homem que ficou conhecido como H.H. Holmes, um dos primeiros serial killers dos Estados Unidos, atacava principalmente mulheres ingênuas e crédulas – mulheres jovens de quem ninguém sentiria falta em meio aos milhares de turistas da Feira Mundial que passavam pelo elegante bairro de Englewood em Chicago.

Enquanto Chicago se deleitava com a atenção recebida pela Columbian Exposition de 1893, que estava nas manchetes de jornais de todo o mundo, Holmes foi impiedoso para achar essas pessoas, usá-los e descartá-las. Ao chegar em Chicago no final de 1880, ele construiu o que ficou conhecido como o “Castelo do Assassinato” na esquina das ruas 63 e Wallace ruas e começou cometer assassinatos, fraude, mentir, roubar e enganar, tudo sob a fachada do simpático farmacêutico do bairro e empresário.

Foto de H. H. Holmes publicada no jornal. Foto: Chicago Tribune

Foto de H. H. Holmes publicada no jornal. Foto: Chicago Tribune

Holmes deu aos americanos um dos seus primeiros casos amplamente divulgados de assassinatos em série. A sombra de casos de vítimas anônimas assassinados na cidade grande é parte da nossa cultura popular, mantida viva por casos raros, mas notórios. Entre eles: a descoberta deste mês de sete corpos, e a busca por mais, no noroeste do Indiana.

Os leitores de hoje provavelmente conhecem Holmes, cujo nome verdadeiro era Herman Mudgett, de best-seller de 2003 de Erik Larson, “The Devil in the White City”. Leitores do Chicago Tribune perto da virada do século passado conheceram Holmes como o protagonista de uma história perturbadora publicada em 31 de março de 1893, pouco mais de um mês antes da Feira Mundial começar. O artigo detalhava que Holmes não tinha pago uma conta de centenas de dólares por equipamentos para um hotel que planejava abrir no castelo que havia construído.

A fachada do hotel de Holmes, o "Castelo de Assassinatos". Foto: Chicago Tribune

A fachada do hotel de Holmes, o “Castelo de Assassinatos”. Foto: Chicago Tribune

Quando os comerciantes irritados exigiram a devolução da mercadoria, eles não encontraram nada além de quartos vazios. Mais tarde, em um quarto escondido foi encontrada a maior parte do mobiliário. Em outras áreas escondidas do castelo for a encontrados colchões e molas de caixa. Os móveis foram removidos; Holmes foi deixado para trás.

E Holmes poderia muito bem ter fugido caso o seu último esquema nefasto não tivesse se desenrolado mais rápido do que ele poderia prever.

Em 17 de novembro de 1894 ele foi preso e acusado de tentar fraudar uma apólice de seguro de vida na Filadélfia, a sua manobra favorita. Um cadáver bastante desfigurado desempenhava o papel do segurado. Embora seus métodos fossem desagradáveis, neste momento as autoridades ainda achava que ele era apenas um vigarista prolífico e talentoso. Mas nos dias seguintes, as manchetes do Chicago Tribune revelaram a realidade terrível de que Holmes não era apenas um golpista. Funcionários suspeitavam que Holmes não se preocupou em desencavar um cadáver dessa vez, ele havia assassinado o seu sócio, Benjamin Pitzel.

A entrada do hotel de Holmes, o "Castelo de Assassinatos". Foto: Chicago Tribune

A entrada do hotel de Holmes, o “Castelo de Assassinatos”. Foto: Chicago Tribune

Cerca de uma semana depois, a edição de domingo do Chicago Tribune trouxe uma grande reportagem sobre a longa história de crimes de Holmes, muitos praticados em Chicago. A manchete “H. H. Holmes, Vigarista,” acompanhada dos títulos “Ruim desde a infância” e “Começou a se desvirtuar quando era estudante universitário,” contava como Holmes, enquanto frequentava a Universidade de Michigan, se uniu a um estudante de medicina para aplicar a golpe do segura de vida várias vezes.

A reportagem detalhou suas falcatruas como a sua patente para transformar água em gás e sua “descoberta” de um poço artesiano em seu porão que produzia água com incríveis poderes curativos. O texto também revelou suas várias esposas, que eram por vezes bonitas, mas sempre ricas. Um dos casos: Minnie Williams, “uma beleza singular”, cuja propriedade era estimada em pelo menos US$ 75.000. Tanto ela como sua irmã estavam desaparecidas.

Fotos de H. H. Holmes publicadas no jornal. Foto: Chicago Tribune

Fotos de H. H. Holmes publicadas no jornal. Fotos: Chicago Tribune

Winchester House. Não era uma casa de horrores, aquilo tudo ocorreu nas planícies e na Guerra Civil. Mas era uma casa com escadas que terminavam em paredes, passagens ocultas, painéis secretos, portas que se abriam para uma queda vertiginosa, banheiros sem encanamento… A reportagem perguntava: o que aconteceu com os três filhos de Pitzel?

A resposta e terrível verdade teria que esperar cerca de oito meses. Em 15 de julho de 1895, os corpos de duas filhas de Pitzel, Alice e Nellie, foram descobertos enterrados em uma adega em Toronto. Acreditava-se que o pequeno Howard estava morto, mas seu corpo ainda não havia sido descoberto.

O vigarista foi revelado um assassino em série. Ele foi notícia de primeira página em todo o país. E a busca por outros corpos começou.

Em Chicago, as autoridades procuravam pistas e decidiram fazer buscas na casa de Holmes. O Chicago Tribune escreveu, em um artigo de 1937: “Que casa estranha era. Em toda a América não havia nenhuma outra como ela. Suas chaminés saiam por lugares onde chaminés nunca deveriam sair, as escadas davam em lugar nenhum. Passagens sinuosas traziam os não iniciados de volta para onde eles haviam começado. Havia salas que não tinham portas, havia portas que não tinha quartos. Uma casa misteriosa, uma casa torta, um reflexo da própria mente distorcida do construtor. Naquela casa ocorreram atos sombrios e misteriosos”.

Capa do jornal Chicago Tribune. Reprodução: Chicago Tribune

Capa do jornal Chicago Tribune. Reprodução: Chicago Tribune

Holmes tinha criado uma “fábrica de assassinatos”. Os quartos podiam ser trancados pelo lado de fora. A sala do terceiro andar era um verdadeiro cofre de banco, acolchoado para abafar o som e equipada com uma tubulação de gás para asfixiar as vítimas. Uma conexão escondida ao porão facilitava a eliminação dos corpos. E foi na adega da “fábrica de assassinatos” onde Holmes, sem dúvida, trabalhou. Atrás de uma parede falsa a polícia encontrou uma mesa de açougueiro, potes de cal, ossos, roupas ensanguentadas e um crematório. No forno, “eles encontraram uma corrente do relógio de uma mulher e uma fivela de liga de mulher”, informou o Chicago Tribune na época. A corrente era Minnie e a fivela de liga de sua irmã.

Ao longo do verão os leitores do Chicago Tribune foram informados sobre as outras vítimas de Holmes, incluindo a família Conner. Ned e Julia Conner e sua filha de 12 anos, Pearl, mudaram-se para Chicago de Davenport, no Iowa. Holmes contratou Ned Conner para trabalhar na sua loja de joias, instalou Julia como contadora e alugou quartos de seu hotel para a família. Ele, então, seduziu Julia, destruindo seu casamento e despachando Ned. Julia e Pearl desapareceram em 1893. Uma ex-secretária chamada Emeline Cigrand e seu noivo também desapareceram. A reportagem que relatou o descoberto de seus restos mortais foi intitulada “Ossos em um baú”.

Mesmo com os corpos empilhando, Holmes, ainda preso na Filadélfia, mantinha-se calmo, admitindo apenas a fraude de seguros e negando ter matado qualquer pessoa.

Mas, quando um júri o condenou pela morte de Benjamin Pitzel, sua fachada começou a ruir. O Chicago Tribune relatou que, certa vez, em um momento imprudente, Holmes anunciou: ‘Ah, com certeza, eu matei vinte e sete pessoas!’. As autoridades duvidavam, tendo identificado apenas 12 vítimas, mas alguns sugerem agora que ele matou muitos mais. Jeff Mudgett, que diz ser tataraneto Holmes, afirma em um livro que seu ancestral era Jack, o Estripador, que supostamente matou cinco prostitutas em Londres em 1888.

Holmes foi condenado à pena de morte em 9 de março de 1896. Um mês depois, o Chicago Tribune publicou o que disse ser a confissão Holmes, usando três páginas de jornal em que Holmes escreveu sobre suas “atrocidades de gelar o sangue com uma calma que assustaria qualquer um”.

Alegando mais uma vez que matou 27 pessoas e se preparava para matar mais seis, ele escreveu: “Eu nasci com o diabo em mim. Eu não pude evitar o fato de que eu era um assassino, não mais do que o poeta pode evitar a inspiração, ou um homem intelectual a ambição de ser grande. A inclinação ao assassinato veio me tão naturalmente como a inspiração para fazer as coisas certas vem para a maioria das pessoas “.

Em 7 de maio, HH Holmes foi enforcado pelo pescoço até morrer. Seu nome continua vivo.

Fonte: Chicago Tribune

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